A tempestuosa caligrafia do verbo adiantou da boca as
reminiscências douradas entrevistas num calabouço de coxas soberbas como um
Caravaggio que se espreita numa esquina penumbrosa e até que o líquido semear
das entranhas brotasse qual champagne do fosso de teus olhos tanto que minha
encarnação endiabrada espreitasse na curva da orelha o caminho mais além de uma
planície de relva encaracolada no torpor que encontra a nuca molhada. E pelos
campos os cubistas me invejando e arrebitando narizes desencontrados perguntassem
onde encontrei tantas nuances e cores pasteurizadas e tantas arestas e eu diria
como quem diz a hora displicentemente, A luz encontrou seu descaminho num corpo
desejado através das eras e eles ririam abraçados esperando que a chuva
apagasse o ultimo Modigliani do negrume da história. E eu encontraria um ou
dois arquitetos e um punhado de músicos traçando planilhas e pautas e uns
emaranhados de claves e sustenidos e tons de todas as formas e traços e curvas
e retilíneos horizontais e curvilíneos polígonos e com seus queixos
embasbacados esgueirando a profética prótese de suas dúvidas estéticas eu lhes
soubesse as respostas de suas demandas e sabedorias e a cada um encarando
responderia que olhos que de uma leveza lunar não haveria traço ou pausa e que
som ou plano traçado encontraria sustentação para os olhos da mulher que me
olha e num dia eu inexistiria por existir demais e nos átimos seguintes que uma
piscadela relevasse algum fôlego de vida então suas pupilas enormemente gordas
como que cheias de amor num exemplar banquete da sensualidade dos tomos arcanos
que me toma de gorgolejantes goles eu seria findo sem mesmo ter consciência do
prazer budista de inexistir e diria mais uma vez, A vós foi dado graças, tu ó
arquiteto, que desentranha a passividade das linhas, e tu ó músico, a vós foi
dado graças, tu que apazigua a alquimia das febres das gentes, e do amor
ficariam os riscadores e os tocadores plenos e iriam pelo caminho abraçando-se
e beijando-se dando graças à carne e a ostentação dos olhos que podiam enxergar
e das orelhas que podiam escutar. E se pudesse harmonizar a concupiscência
física dos astrônomos e dos poetas e pudesse escutar a poesia clarividente
sacudindo o perímetro dos sonhos empanturrados de metafísicas de buracos negros
e caleidoscópicas visagens metaforizadas da palavra preexistente extinguindo
numa supernova de combinações semânticas para dizer o nome da mulher que chama
e o poeta se deitaria e o astrônomo olharia para o céu e eu diria, Levante-se
em reverência, pois que a palavra lhe foi revelada ó poeta criador dos céus
imagéticos de letras incompreendidas, Caia de volta para o chão o astrônomo que
de ti os astros estão exorbitados e ouça os sons que dançam em pantomimas
diante de teus olhos, e os dois chorando correriam de encontro ao abismo
atraídos pelo nome transfigurado da paixão e deixariam de compor e deixariam de
observar e nunca mais saberiam de nada, assim mesmo sendo afortunados. Até que
um dia os artistas equivocados extinguissem suas buscas e a ciência não desvendasse
mais e nem os teóricos se obstinassem.
gentilmente cedido ao 3ou+ por George Saraiva
Um comentário:
Lindo demais!
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