30.3.12

processo

se é que existe vida na Terra, é um negócio bem confuso

   mas um dia a gente aprende 
                 
evolui 

como um bigato vira mosca.


26.3.12

felicidade

a arma que empunho
atira para todos os pontos cardeais.
sou a única atingida.

da Pauliceia

Iniciar a leitura de Eles eram muitos cavalos é como iniciar a leitura de qualquer outro livro, quando não se tem nenhuma informação prévia sobre o que a obra guarda. Porém basta percorrer as primeiras cinco páginas para que o leitor se veja, no mínimo, perdido. Será um livro de contos? Será um livro de poemas proseados? O leitor, perplexo, mas persistente, continua sua leitura e logo se encontra tentando estabelecer alguma relação entre uma imagem e outra, tentando dar sentido à mudança de cenário, buscando – com dificuldades – uma lógica entre as cenas inacabadas. Por volta do décimo flash a inconstância começa a tomar forma e o leitor se acalma, entregando-se de corpo e alma a cada fragmento. O corte brusco de cada retalho de realidade apresentado no livro passa a ser um exercício de desapego, e sempre o disparador da esperança de uma nova tragédia, de um novo amor, de mais uma lembrança, do inesperado.
O romance trata do homem da metrópole, pós-moderno, fragmentado, esmagado pela velocidade da vida urbana. Luiz Ruffato, em seu livro, expõe uma fotografia da cidade de São Paulo, mas não como uma vista aérea que se assemelha ao ângulo das coberturas dos arranha-céus dos bairros nobres da cidade. Sua câmera vê de baixo para cima e não registra o que há de visual, mas revela o funcionamento de uma engrenagem, a essência de uma época e de um povo – a época do não ser, o povo que não é. O autor engendra os elementos linguísticos de um modo único, sua narrativa é inconstante, torta, podre, dúbia e fria. O que se conta no livro é apenas pretexto, o escopo de homem que ele busca revelar em sua obra não se esconde no sentido das palavras escolhidas para os 70 aforismos. Este homem vive nos espaços dados entre essas mesmas palavras, nos parágrafos, no canto das páginas, no negrito e no itálico. A São Paulo de Ruffato está representada na mudança, na troca de um miniconto para outro, no devir e no porvir.
Ler este romance é algo equivalente a uma corrida de 40 minutos dentro de um táxi, atravessando a cidade na hora do rush – com os olhos atentos grudados à janela do carro. Um romance angustiante para todo tipo de leitor. O leitor prosaico, que procura enredo com começo, meio e final feliz, frustrará violentamente antes da vigésima página. O leitor que grudar os olhos à janela desse táxi e estiver disposto a se entregar ao incômodo ziguezague das palavras de Ruffato, encontrará grande gozo até a última página, porém sofrerá com a tomada de consciência do homem que não é.


 


Velhice

Foi quando eu descobri

que cabelo branco não une, destaca.

Que pernas doídas

não dançam, empacam.

Que o novo amanhecia o que o velho bocejava.


Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.

Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.


Foi quando me disseram

que os livros adormeciam em estantes e

que os homens já voavam.

Foi quando entendi

que "ismos" eram cafonas,

que minha bengala já não "pegava".

Que eu não era "in",

que minha casa envergonhava.


Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.

Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.


E então riram do tamanho do meu nariz e

logo já não abraçavam.

Que a falta de tempo,

era só o cultivo do nada.

Descobri que eles se pintavam,

que a paquera não existia,

eles ficavam.


Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.

Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.


Numa noite, chorei:

me vi preto e branco,

jogado no canto fundo de minha casa,

atrás de uma sofá aveludado,

talvez caído,

nunca mais achado.


Lucas Galati Balieiro


20.3.12

incentivo

Tino... (eco, eco, eco), (eco como se estivesse dentro de uma montanha), (eco de montanha profunda), (eco de montanha muito profunda), (eco de se ouvir de fora da montanha), (eco profundo), (eco daqueles de filme), (eco de estrada!), [como não havia pensado nisso antes?], (eco de estrada!), (eco de carro de estrada), (eco de atropelamento de cach...), [não, melhor não], (eco de repetição ção ção ção), (eco e c o e  c  o  e   c   o   e    c    o    e       c       o). 

13.3.12

It happened to be like this

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It happened to be like this 
A struggle uphill tale:


She'd taken side between possibly opposite ideas and from then on has been forging what further she would call a character. We all form characters, it's a basal human force.


She knows there's no hard thing as facing facts of real life, but that definetly does not asure she's free of charge in the game of grownups. We all leave the match with our heads low sometimes.



The moment Sally bravely brought some of her fears up to the surface she was sure her journey was bound to be rougher than she once expected. We all carry heavy luggage through time.


For Sally is a woman that encourages righteousness she's been struggling social life in the attempt of harmonizing. We all face Difference and we all first tend to go against it.


But as time passes her through she collects every significant frame out the film of life. That she calls Experience. Which can be used for both Good and Bad.


She can feel strongly forceless when led to chose between extremes, Sally is always trying to balance things. We all share the certainty of birth and death, living is the path in between.


After a long time struggling uphill she understood that equilibrating ideas was to be her mission. Even if it could be a tiring fate, she was certain that would bring her fulfilment. So then Sally left behind as many fears she could and soared, released from shackles, in the direction of a new experiment of human. If living can be described as moving then we must be prepared to change ever and ever again.