26.3.12

Velhice

Foi quando eu descobri

que cabelo branco não une, destaca.

Que pernas doídas

não dançam, empacam.

Que o novo amanhecia o que o velho bocejava.


Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.

Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.


Foi quando me disseram

que os livros adormeciam em estantes e

que os homens já voavam.

Foi quando entendi

que "ismos" eram cafonas,

que minha bengala já não "pegava".

Que eu não era "in",

que minha casa envergonhava.


Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.

Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.


E então riram do tamanho do meu nariz e

logo já não abraçavam.

Que a falta de tempo,

era só o cultivo do nada.

Descobri que eles se pintavam,

que a paquera não existia,

eles ficavam.


Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.

Que eles amavam por memes,

e eu carregava memórias.


Numa noite, chorei:

me vi preto e branco,

jogado no canto fundo de minha casa,

atrás de uma sofá aveludado,

talvez caído,

nunca mais achado.


Lucas Galati Balieiro


Nenhum comentário: