3.4.12

nós de nós dois

É a falta de objetividade na objetividade. É a minha ansiedade. E não é pra rimar. É pra expressar. Isso mesmo. Vou tentar me explicar não explicando. Só porque tenho medo de mostrar. Porque se a carroça é colocada na frente dos bois. Não. Deve ser mais poético. Mais poético é menos objetivo. Eu acho. Não. Deve ser hipotético. Mas isso é só pra rimar. Deve ser sintético. Exato. É isso. Serei sintético. Ou gostaria de ter sido. Talvez porque de prolixo me faria exposto. E eu tenho medo de me expor. Ou acho que tenho. Eu acho. Mas devo ser sintético. Por hora. A questão é que me incomoda não poder realizar o óbvio entre nós. Tenho medo do risco. Pode ser também que não haja obviedade. Pode ser que eu seja um medroso. Poder ser que já sejamos reais. E eu ingênuo demais. Rimou por acaso. Pode ser qualquer coisa. Pode ser que nós. Pode ser que nós.

Um comentário:

Larissa Luz disse...

Eu tenho esse texto guardado faz um tempo. Pouco mais de dois anos, talvez. Não me lembro como o encontrei (ou como ele me encontrou), mas sempre fiz questão de guarda-lo com apreço. Fosse no bloco de notas do computador, ou em um dos meus mil caderninhos de ideias. Eu venho tentando despersonalizar as pessoas (por mais absurdo que pareça), mas confesso que sempre quis saber o autor desse achado. No começo era pra referenciar, depois, porque queria ler mais coisas. Mas o mistério continuava. Eu digitava trechos no google de tempos em tempos. Não adiantava. Hoje foi um dia cinza, daqueles me faz querer fugir de mim. Me acomodei no eco da casa vazia, e por alguma razão -ou pelo oposto -, resolvi tentar mais uma vez. Foi assim que cai aqui. Quebrou um pouco do silencio que me incomoda tanto. Obrigada.