3.5.12

QUANDO SOUBERAM

E o ônibus até levaria,
mas sua mão caiu antes disso,
caiu pesada,
seu lado esquerdo adormeceu,
ela ainda acreditava em pressão alta.
A respiração falha adormeceu as palavras,
sacrificou tônicas,
ela tentou discar o celular,
mas o ônibus precisava parar.
Ela quis descer,
sua perna já não mexia.
Tentou fechar os olhos,
a dor escurecia.
Quando conseguiu dizer,
sua voz escorreu para fora:
ela tremeu,
ela jurou,
ela tentou pedir desculpas.
Ninguém a via.
Eram músicas muito boas para serem ouvidas,
conversas mais interessantes a serem discutidas,
era comprovado que daria muito trabalho.
Sua pressão mentiu e o coração infartou.
Ela se foi e ninguém viu.
Ela era mais uma,
pequena demais para alguma importância,
idosa o suficiente para garantir um assento,
tinha muito cabelo branco para ouvir palavras de importância.
Foi embora sem entender desejos por ter sempre feito pedidos.
Ela tremeu,
ela jurou,
ela tentou pedir desculpas.
Quando souberam,
ela não disse,
morreu olhando para fora,
era seu primeiro desejo.
Ela morreu sorrindo…

Lucas Galati Balieiro

(texto postado por mim, mas de autoria do lucas)

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