Mais voltando... então é isso! A morte , pra mim, é meio sem nome. Estranho mesmo é você parecer mensageiro dela. Sem jeito, pedir licença, ter que tirar das pessoas sua dor mais funda, enrijecer e segurar todo o peso da pergunta e a angústia pela resposta: "Podemos enterrar?".
Ah! Você vê de todo tipo! Os piores são aqueles com umas cinco ou seis pessoas. Você fica imaginando a vida daquela pessoa, sabe? Foi tão ruim assim para ninguém se importar que ela foi embora? Acho triste, sabe? A morte pra mim é dura.
Não é que a gente não sente. Sente sim. Trabalhar todo dia com o fim é racional demais e se paga por isso. Quando você vê, já não se pensa em começos e a barriga não mais esfria. A eternidade acaba sendo só nos contos para os seus filhos , antes de irem dormir. A morte não é curva.
Olhar um rosto desbotado, por mais desconhecido que seja, e pensar nele sorrindo, que ele teve sua primeira noite de amor e teve medo de alguma coisa. A morte esconde.
Então acaba sendo isso, fica sem nome por estar ligada a uma ideia de trabalho. Cada dia é de um jeito diferente, mas tão igual na sua essência, entende? A única certeza é de que , dali pra frente, acabarão as respostas e aos que ficam resta apenas sossegar com as memórias.
Pra mim, fica a sensação de que lido com ela todo dia e cada dia eu menos a conheço. Está na minha frente, mas eu nunca a vi. Quando vir, não vou estar aqui para te contar. A morte é amiga imaginária, converso todos os dias com ela, mas não sei como ela é.
Lucas Galati Balieiro
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